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Discurso de J. K. Rowling - os benefícios do fracasso

As vezes vejo ou leio coisas que gostaria de recomendar para você, meu filho, em algum momento da sua vida. Esse discurso de J. K. Rowling para uma turma de formandos da Harvard em 2011 sobre os benefícios do fracasso é uma dessas coisas. Não sei exatamente quando você estará pronto para ouvir, mas espero que lhe chegue no momento mais propício. Já ouvi mais de uma vez e estou ouvido pausadamente agora, com vontade de anotar algumas pérolas de sabedoria que ela traz para conversar com você. Espero podermos fazer isso pessoalmente no futuro. :)

 

Esta é uma tradução de um trecho. Não necessariamente o que gostei mais, mas um que resume o tema principal da palestra.

"No fim das contas, somos nós mesmos que vamos decidir no que consiste fracassar. Se você permite, tem um mundo louco para lhe passar todos os critérios. A vida é difícil, é complicada, e está fora do controle de todo mundo, e a humildade em reconhecer isto é o que vai permitir que você sobreviva a todo revés. Tive um período de trevas na vida. Não tinha ideia de onde acabava o túnel. E por um longo período, qualquer luz lá no fim era uma esperança, e não uma realidade. Talvez você não chegue ao meu nível de fracasso, mas é inevitável que você fracasse em alguma coisa na vida. É impossível viver sem fracassar em algo, a não ser que você seja tão cauteloso que seria melhor não ter vivido – e aí você fracassa por omissão.
O fracasso me deu a segurança que eu nunca tive ao passar nas provas. O fracasso me fez aprender coisas sobre mim que eu não aprenderia de outra forma. O fracasso me levou a eliminar o que não era essencial. Deixei de fingir ser o que eu não era e comecei a focar minhas energias em encerrar a única obra importante pra mim. Saber que você emergiu mais sábia e mais forte dos contratempos significa que você está, agora e sempre, segura da sua capacidade de sobreviver. Você nunca há de se conhecer inteiramente, nem a força das suas relações até ambas serem testadas pela adversidade. Saber disto é uma verdadeira dádiva por tudo que se ganha com a dor e vale mais do que qualquer diploma que já ganhei." — J.K. ROWLING

Também encontrei esses comentários num site de psicologia. O último parágrafo resume bemalgumas conclusões do discurso.
O que é sucesso, o que é fracasso? Há ocasiões em que ganhamos algo sem perceber o que perdemos com esse ganho. Há momentos em que parece que perdemos algo que muito desejamos e não percebemos o ganho que essa perda permitirá em futuro próximo. Muitas pessoas que são um sucesso comercial são medíocres, ao passo que muitos são talentosos nas sombras, jamais chegam a ser reconhecidos. Muitos pintores hoje famosos eram considerados fracassados quando ainda vivos.
A sociedade nos impõe critérios de sucesso que nem sempre se encaixam em nossa essência – diz Rowling, que passou por muitos fracassos em sua trajetória: foi demitida de vários empregos, passou por um casamento traumático, viveu um período dependente da assistência social, sozinha com a filha pequena, teve o original de Harry Potter recusado por várias editoras.
Para ela, os benefícios do fracasso foram: despojar-se do que não é essencial, desenvolver a determinação de concretizar o sonho de ser escritora; ver o fundo do poço como alicerce para reconstruir a vida; autoconhecimento, que permitiu desenvolver força de vontade e confiança na própria capacidade de sobreviver às adversidades.
Achei essa reportagem também sobre o discurso que faz um resuminho da vida dela.
Elimine o que não é essencial
No começo dos anos 1990, Rowling fez as malas e voltou para a Escócia após um casamento infeliz com um marido abusivo em Portugal. Sem emprego e com um bebê para criar sozinha, começou a receber ajuda do governo e tentar sobreviver. É uma época dura e que ela não esconde de sua biografia.
Em seu bem humorado discurso para formandos da Harvard University, em 2008, ela disse que foi o mais perto que chegou da miséria em seu país sem morar na rua. “Eu era a maior fracassada que conhecia”, falou. A depressão não tardou e, às voltas com pensamentos suicidas – que mais tarde inspiraram os dementadores da série –, ela decidiu buscar ajuda psicológica e continuar escrevendo uma história que tinha surgido na sua cabeça anos antes, numa viagem de trem: a vida de um bruxo chamado Harry Potter.
Ainda sem emprego, se sentindo um grande fracasso, JK Rowling não desistiu de seu sonho de infância – ser uma escritora – e terminou os dois primeiros livros, que foram escritos à mão num café barato perto de sua casa. A autora fez o melhor que pode com as circunstâncias difíceis que tinha: vendo um lado positivo em seu tempo livre, simplificou sua rotina e focou em avançar como podia enquanto fazia o que amava, tornando-se mais produtiva e criativa.
“O fracasso eliminou o que não era essencial. Parei de fingir para mim mesma que era qualquer outra coisa que não eu e dirigi minha energia para o único trabalho que me importava”, disse ela em Harvard. “Meu maior medo tinha se tornado realidade e eu ainda estava viva, tinha uma filha que eu amava, uma máquina de datilografia velha e uma grande ideia.” Foi assim que ela mudou sua perspectiva. “O fundo do poço se tornou a base sólida sobre a qual reconstrui minha vida.”

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